quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

A VIDA SECRETA DAS ÁRVORES.

 


Uma das coisas que mais me chamou a atenção é que o livro está nlista de mais vendidos do The New York Times, com mais de 1 milhão de livros vendidos. É muito bom quando vemos livros que atingem esse patamar principalmente de cientistas ou filósofos. Neste caso de um cientista: Peter Wohlleben,engenheiro florestal e divulgador científico alemão, conhecido por suas obras populares sobre temas ecológicos.

 

Este é um livro que abre a mente para o conceito de ecologia, da vida (bio) e também de sustentabilidade, principalmente quando passamos a pensar na extensão da vida e na noção do tempo. Em comparação à vida humana, em média, as árvores vivem até 10 vezes mais, o que reforça a ideia que plantar árvores e/ou preservar as existentes amplia a consciência de nossa relação com as gerações futuras, já que são essas que irão conviver com árvores adultas, de mais de cem anos de vida. Eu que tenho escrito bastante sobre o Slow e longevidade, principalmente Slow design, o ritmo da natureza e das árvores em especial nos ensina muito.

 

Aliás, a educação familiar é uma das felizes descobertas que a leitura me trouxe.

 

“Uma boa educação é garantia de uma vida longa, mas às vezes a paciência das mudas se esgota.”Wohlleben pág. 37.




Se entendermos que esse aprendizado se dá através da seleção e transmissão de informações entre as árvores é possível passar a acreditar que estas informações podem ser repassadas através de suas raízes que mantém contato no subsolo com outras árvores da família, ou não, e com milhares de seres vivos que ali habitam (especialmente fungos) e que são invisíveis para nós, motivo pelo qual nem paramos para pensar em sua existência, como o próprio autor cita temos mais conhecimento sobre o espaço e a superfície lunar, do que os nossos subsolos ou fundo dos oceanos.

 

Esta de rede de conexões que se dá pelas raízes está sendo estudada pela ciência com mais profundidade.  


“ciência já fala da existência de uma 'wood wide web" que permeia as florestas. As pesquisas sobre quais e quantas informações são trocadas ainda estão no início. O que já se sabe é que os fungos seguem uma estratégia, calcada na intermediação e no equilíbrio, que às vezes põe em contato diferentes espécies de árvores, mesmo que sejam concorrentes.”pág. 16.




O texto é simples e acessível o que incentiva a leitura, principalmente a humildade do autor ao citar seus erros e de outros cientistas, não delegando o fardo das extinções apenas aos exploradores de florestas. Apesar de ter dedicado sua carreira na floresta da Alemanha, e por isso os exemplos se baseiam em dados desta floresta, tem citação ao Brasil, expandindo o conceito ecológico a uma consciência planetária, mais obvia agora com esta rede de conexões e informações.


“Também descobriram que o processo inteiro é interrompido quando as florestas costeiras são desmatadas. É como se alguém removesse os tubos de sucção de

água de uma bomba elétrica. No Brasil, as consequências já começaram a surgir: o nível de umidade da Floresta Amazônica está cada vez mais baixo. A Europa Central, a cerca de 600 quilômetros da costa, ainda faz parte da área de alcance da bomba de

sucção, e felizmente ainda existem florestas na região, apesar de sua área já ter diminuído bastante.”pág. 98.






Leitura imprescindível, para arquitetos, designers e paisagistas, e para todos aqueles que moram um algum país que tenha sua origem em árvores, como por acaso o Brasil, Terra Brasilis, terra dos Pau-Brasil, ou a árvores em brasa, queimando vermelhas.

 



Pense de novo. O poder de saber o que você não sabe.

 


O novo livro de ADAM GRANT, editora Sextante, 2021, trata sobre a capacidade de repensar e desaprender em um mundo em que as mudanças ocorrem de forma rápida, e perceber que muito do que conhecemos e entendíamos como certo já não mais da mesma forma. Para isso é necessário treinar nosso olhar e ter o cérebro aberto a repensar nossos conceitos, adotando uma postura científica frente às informações, ou seja, observar e ouvir de forma científica. Para isso, procurar fontes mais confiáveis, outras opiniões, estar preparado a ser questionado, o que Grant chama de modo cientista, propondo duvidar do que sabe, ter curiosidade a respeito do que não sabemos e atualizar nossas opiniões frente a novos dados.

 

Nada mais adequado aos tempos que estamos vivendo de pandemia de Covid, politização e radicalização dos mais diversos temas, e um caminho bom para isso é ter humildade.

 

“O conceito de humildade costuma ser mal compreendido; não significa baixa autoestima. Uma das raízes latinas de humildade significa "da terra". Humildade é, portanto, ser pé no chão: reconhecer que temos defeitos e somos falhos.”pág 53.



Enquanto a humildade nos abre a possibilidade de aprender coisas novas a arrogância nos cega e nos faz crer que não é necessário repensar nossos conceitos.

 

Um outro ponto importante na visão do autor, que coincide com muitas pesquisas que realizei e está no título de meu novo livro, é a importância da colaboração e faz parte do coletivo.

 

“Repensar não é apenas uma habilidade individual. É uma capacidade coletiva, que depende muito das práticas de uma organização.”pág. 205





O exemplo apresentado da NASA nos demonstra como mesmo corporações de excelência precisam repensar métodos, procedimentos e conceitos. Talvez até por esse motivo, de terem alcançado altos níveis de excelência, acha uma acomodação no status da inteligência, e assim, mais uma vez as corporações precisam estar preparadas para este novo mundo de mudanças constantes e rápidas, por isso não adianta apenas mudar a cultura empresarial e sim, se preparar para desenvolver uma cultura corporativa de mudanças.


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Matrix RESURRECTIONS Bem-vindo ao Deserto do Real

 

Em tempos de ressurreição e na dificuldade de acreditar no que é real, o que não é, acreditar na que é ciência, acreditar nos que a negam, em tempos de pessoas presas a máquinas digitais e que tomam pílulas, nestes tempos em nada melhor que rever Matrix.


Aproveitando o lançamento do IV filme da saga de Neo, minha dica é rever a trilogia, lógico, mas principalmente da leitura deste livro Matrix: bem-vindo ao deserto do real, de William Irwin, da editora Madras de 2003.


William é filosofo e professor de filosofia, reúne nesta obra outros colegas acadêmicos da área para fazer boas reflexões sobre o que é real e aquilo que sentimos e vivenciamos, muitas vezes mediado por tecnologia.


Traz vários outros grandes nomes da filosofia e teologia para analisar detalhes do filme, como o mito da caverna de Platão, conhecimento e realidade, o pensamento cartesiano e o materialismo, o budismo e a bíblia cristã, liberdade, teoria da libertação, Marx, Kant, Marcel Duchamp..... O que faz da revisão do filme mais interessante ainda.


Na primeira edição brasileira tem uma introdução do editor Wagner Veneziani Costa que estimula ainda mais a continuar a leitura. Destaco aqui um trecho deste capítulo que analisa os signos numéricos presentes no filme.

 


Outro capítulo interessante é do Charles Griswold e trata da felicidade conhecimento e ignorância, nada melhor nestes tempos. No trecho em destaque faz uma alusão à alegoria da caverna de Platão.


“Ninguém desperta a si próprio, embora possa se remexer com lembranças primitivas, como acontece com Neo, a ponto de ter a vaga sensação de não saber se está acordado ou dormindo (Morpheus pergunta a Neo se ele já se sentiu assim). Morfeu é o nome do deus grego dos sonhos. Por que o libertador de Matrix tem o nome dessa divindade? Parece estranho, afinal de contas, que aquele com a missão de acordar seja o especialista em sono. O nome do deus vem da palavra grega morphé, que significa forma; pois o deus podia conjurar no adormecido todos os tipos de formas.” Griswold pág 158.



“A maioria das pessoas não está pronta para ser libertada” Morfeu.





Se interessar tem aqui neste blog outra resenha ligada a Matrix que aparece no início do filme quando Neo está lendo, BAUDRILLARD, JEAN Simulacros e Simulação Coleção: ANTROPOS Editora: RELOGIO D'AGUA, 1991. 

https://www.blogger.com/blog/post/edit/3169773127506169612/4044253184452757062







quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Cidades costeiras e o nível do mar.

 

Nos últimos artigos temos tratado bastante da relação das cidades com os mares e oceanos.

Foram diversas ideias e soluções para pensar a ocupação destas áreas no mundo todo, já que é uma das maiores preocupações de um futuro próximo.

Recentemente o assunto voltou à pauta fortemente durante a  26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), principal cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) para debater questões relacionadas ao clima. O aquecimento global não deve diminuir nos próximos anos e as consequências são alarmantes. 

Circularam na internet imagens produzidas por cientistas da Climate Central que examinaram regiões onde as populações são mais vulneráveis ​​nos próximos 200 a 2.000 anos.

A linha da maré alta pode invadir terras ocupadas por cerca de 10% da população global atual (mais de 800 milhões de pessoas) após 3 °C de aquecimento. Muitas pequenas nações insulares estão ameaçadas de perda quase total e a Cidade de Santos será uma das mais afetadas.

Quando se trata de problemas de ecologia voltamos a citar a famosa frase “pensar globalmente e agir localmente”. Se o mundo todo não se comprometer com as metas estabelecidas não há muito o que fazer localmente.

Por isso ,é importante ter sempre em pauta assuntos sobre sustentabilidade, ecologia, Amazônia, florestas tropicais, áreas verdes, permeabilidade, redução de emissões, ou seja, o desmatamento de áreas verdes não é um problema da Amazônia apenas, as emissões de gases e poluentes não é um problema unicamente da China, ambos afetarão a vida nas cidades costeiras do Brasil e combinados aceleram a proximidade dessa fatal realidade.

Mês passado também foi apresentado relatório 2021 sobre a Lacuna de Emissões pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Este relatório mostra que as promessas climáticas apresentadas pelos países, combinadas com outros fatores não seriam suficientes e não evitariam um aumento da temperatura global em quase 3°C até o final do século. 

Diante deste atual panorama a inserção deste debate em todos os níveis, a iniciar pelo ensino básico, é urgentíssimo. Desta forma a lei  Municipal de Santos nº 3.935, sancionada este mês que prevê a inserção de conhecimentos sobre oceanos e preservação da vida marinha em diferentes formas de atividades pedagógicas na rede municipal de ensino é um grande passo para a ação local e um exemplo global para que o tema tome as devidas proporções.

Arquitetura e Interiores e o feito à mão.

 Arquitetura e Interiores e o feito à mão.

A importância deste segmento na produção humana.




Já existem impressoras 3D construindo casas, ambientes e produtos, porém a grande parte ainda é uma produção manual, que traz inúmeros benefícios, entre eles e de imediato a geração de empregos.

Mas vou enfatizar o ponto de vista filosófico disto e para tanto citar Vilém Flusser, em seu livro O Mundo Codificado: por uma filosofia do design e da comunicação que é uma coletânea de textos criteriosamente selecionados por Rafael Cardoso.

 

Do ponto de vista etimológico, portanto, a manufatura corresponde ao sentido estrito do termo in + formação (literalmente, o processo de dar forma a algo). No sentido amplo, fabricar é informar. Daí deriva o sentido, menos usual, de fabricar” como inventar ou engendrar ideias ou versões, como na frase fabricar um álibi”” (CARDOSO apud FLUSSER, 2010, p. 12).

 

Quando tratamos de Human-centered design estamos colocando o foco na importância do ser humano para a solução de problemas, sejam estes quais forem. No caso do habitar isto é mais que importante, é imprescindível. Não há como pensar, projetar e desenhar ambientes sem considerar o ser humano. Não apenas aquele que irá habitar, mas toda a espécie, por isso também está atrelado a ideia de futuro e sustentabilidade.

 

O desenvolvimento da cultura humana, passa pela Manufatura” vem do Latim MANUS, mão”, mais FACTURA, trabalho, resultado de atividade técnica”, de FACERE, fazer”.

Aqui outros autores além de Flüsser, como DeMasi e Harari nos demonstram que temos diversas fases "primeiro o homem-mão, depois, o homem-ferramenta, em seguida, o homem-máquina e, finalmente, o homem aparelho-eletrônico” Flüsser. Ou seja, primeiro aprendemos a realizar coisas com a mão (homo-habilis) , depois fomos desenvolvendo ferramentas para produzir melhor estas coisas (homo faber) e depois já Homo Sapiens Sapiens criamos a maquina.

Neste processo o que ocorreu com a máquina é que esta tira o homem do centro este deixa de ser imprescindível. 

 

Por exemplo, quando o homem faz um objeto com a mão ele é imprescindível, se ele não puder realizar o objeto não estará pronto. Quando este homem realiza a produção com um instrumento ele ainda é o foco, ele é a constate e o instrumento é a variável, um pintor utiliza um rolo, um marceneiro uma lixa, se o rolo estragar ele troca de rolo (variável), mas o pintor se mantém constante. 

Já quando o homem produz um objeto com uma máquina ele passa a ser variável e a máquina a constante. Se este ser humano não puder estar presente troca-se o homem e mantém-se a máquina.

Esta mudança de paradigma trouxe uma inversão de valores, de imediato passamos a dar mais valor ao resultado da máquina, obviamente só foi percebido após a revolução industrial, mas hoje admitimos que foi um erro e que o valor de fato está no ser humano.




Nesse sentido arquitetos e designers de interiores são profissionais importantíssimos na difusão do valor do feito à mão desde o assentamento de tijolos, da massa ao pesponto de couro, o barrado da cortina ou vaso de cristal, todos tiveram um ser humano dedicado, hábil, concentrado e graças a aquisição destas peças famílias e comunidades inseridas na economia.

  




artigo publicado originalmente na revista MixDesign Outubro 2021

Arquitetura promove a economia, cidades e a cidadania.


 Criatividade e bom humor são recursos para atrair pessoas à ruas e assim dar nova vida a locais abandonados.


Ao longo da história temos inúmeros exemplos de projetos arquitetônicos que promovem o turismo, a economia e principalmente atraem pessoas dando vida ao entorno. Muitos nem foram construídos com esse fim, até pelo contrário, eram retiros, como muitos templos e igrejas pelo mundo.


São claros os exemplos de novos museus e centros culturais que conseguiram revitalizar totalmente bairros e cidades, como o Guggenheim de Bilbao. Mas a gentrificação é uma consequência imediata que retira moradores antigos desses locais. 


O mundo contemporâneo ficou complexo e a globalização também homogeneizou a oferta de produtos e serviços, desta forma quando visitamos grandes cidades vemos muita coisa repetida que já conhecemos, as mesmas redes de fast-foods, de moda, cafés, restaurantes, hotéis, etc.


Além disso, o novo estilo de vida incentivou as pessoas a permanecer em casa, e as cidades ficaram sem muitas opções públicas de lazer. Um dos pontos bastante questionado é que a arquitetura e o urbanismo não atraem as pessoas às cidades. Muitas destas realmente foram pensadas para veículos, para circular dentro de um carro.


Desta forma se tornou muito aborrecido andar pelas cidades, não estímulo aos mais jovens, principalmente as crianças. Muitas cidades tem estimulado o chamado 8/80, ou seja uma cidade é boa e segura quando encontramos pessoas de 8 e 80 anos andando sozinhas pelas ruas.


Por este motivo, muitos profissionais tem estimulado o uso de bom humor e de equipamentos lúdicos e coloridos para promover a mobilidade urbana e a cidadania: a vida ao ar livre no seu sentido mais amplo, já que a origem etimológica é do latim civitas, que quer dizer cidade.



É o caso do escritório 100architects, que tem promovido está reflexão, como o High Loop que transforma um viaduto de 1km de extensão em um equipamento lúdico e colorido, sem alterar a estrutura principal. 

 


Octopus Kingdom é outro exemplo que alterou a paisagem urbana de forma lúdica e atraente no telhado do Gateaway One, um shopping center recém-construído no distrito de Nanshan, Shenzhen, China. Para os arquitetos a intervenção colorida funciona como uma atração urbana.




O escritório também aponta para a importância dos espaços públicos promoverem a diversão e o brincar que que para eles “Brincar não é só para crianças”. 

O projeto tem o nome de Trilha Pegasus, fica na cidade de Chongqing, a terceira maior cidade da China, é inspirado nos desportos equestres, daí o nome.

O desenho do cavalo alado numa fita amarela, cria como um rastro que gera mini-praças circulares que servem como plataformas de lazer e interações sociais, permitindo o uso para públicos variados.

Este tipo de solução não deve ser homogênea, porém, muitos espaços de nossas cidades geram insegurança, afastam as pessoas e se tornam assim, cada vez mais abandonadas.

Estes projetos demonstram que com poucos recursos é possível mudar significativamente o local tornando-se uma atração com uso da arquitetura e do design.





artigo originalmente publicado na Revista Mix design Agosto 2021

Arquitetura, sustentabilidade e turismo regenerativo.


 Após este choque da pandemia da Covid-19 o turismo passa por uma intensa reflexão de sua retomada, onde hábitos e costumes, de fato, mudaram e afetam diretamente este setor.

No caso da arquitetura e interiores, evidentemente gerou uma rápida demanda para atender novos protocolos de higiene e distanciamento.

No entanto, um dos temas mais promissores está sendo o turismo regenerativo, pois não está se apresentando como uma alternativa à pandemia, e sim à sustentabilidade, com um conceito mais profundo da mobilidade humana e sua relação com o meio ambiente e a natureza.

Como o próprio nome diz, este tipo de turismo tenta regenerar aquilo que já foi afetado pelo homem, trazendo vida nova aos ambientes que sofreram impactos negativos. Portanto, não se trata de preservar e sim trazer de volta à vida os ecossistemas afetados. É um bom exemplo de sustentabilidade que permite ao ser humano manter o contato com esses ambientes naturais, e não apenas afastá-lo na busca da revitalização local. 

Tem vários aspectos positivos, destaco alguns, primeiro do ponto de vista ecológico: temos necessariamente que recuperar e regenerar estas áreas afetadas urgentemente, o mundo estabeleceu uma agenda ecológica de sobrevivência para 2030 que parece inatingível, e é altamente desafiadora. Neste sentido o Brasil, na sua área costeira e, principalmente, da mata atlântica tem muito a fazer.

Outro ponto importante é a ativação da economia local com responsabilidade para manutenção deste conceito. Hoje é desnecessário comprovar a importância de gerar empregos e manter o mercado local funcionando.

 Este termo de turismo regenerativo é coerente com a filosofia de sustentabilidade, pois não se trata apenas de uso de energias renováveis, reuso de água, utilização de materiais ecologicamente corretos ou seleção e destino do lixo, mas também do tripé social, ambiental e econômico.



Existem alguns bons exemplos de hotéis para este turismo sustentável, como The Brando, na Polinésia Francesa, do arquiteto Harry Gesner. Localizado na Ilha do ator Marlon Brando, por isso leva seu nome, que com menos de dez anos já recebeu vários prêmios e é considerado um dos melhores do mundo. 

E gostaria de destacar outro hotel, que também tem uma forte relação com o mar, projeto do escritório Foster + Partners na ilha Shurayrah, no Mar Vermelho.

O projeto é apontado como uma das iniciativas de turismo regenerativo mais ambiciosas do mundo, concebido para se mesclar inteiramente ao mar e ao ambiente natural. O projeto tem como centro a biodiversidade e a economia local, evitando impactos negativos nos ecossistemas da ilha como os manguezais. Este tipo de proposta de arquitetura e interiores aponta para um caminho emergente onde a sustentabilidade deixa de ser uma exigência normativa para se tornar um princípio filosófico, apresentando coerência com a vida do planeta, como o próprio escritório Foster descreveu: “o hotel foi projetado para dar a impressão de que foi trazido naturalmente às praias, inserido entre as dunas quase como troncos trazidos pelo mar. ”





Artigo publicado originalmente da revista MixDesign jun 2021